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A categoria dos agricultores está pagando o pato, pelas culpas de todos nós PDF Imprimir E-mail
Escrito por ALFAPRESS COMUNICAÇÕES   
Sex, 16 de Dezembro de 2011 09:00

 

 


Sem entrar em nenhum mérito da lei do código florestal, a vigente ou a nova. E também sem a insanidade de achar que não devemos proteger o meio ambiente, o ser humano e o capitalismo compartilhado, sustentável e ético, dentro das possibilidades vigentes dos seres humanos. Mas, ao “auscultar” as afirmações, entrevistas, declarações, manifestações de segmentos formadores de opinião da sociedade; tanto a urbana quanto parte da rural; na defesa do rigor na preservação ambiental, fica a total sensação e percepção de que temos de um lado os “mocinhos”, e do outro- os escolhidos para serem os “vilões ” e os "bandidos" são os produtores agropecuários. Quem em sã consciência poderia ser contra as árvores, os riachos, os rios, a luta contra o aquecimento global? Ninguém. Mas, quem disse que a mosca desse alvo, o “target” deve ser o agricultor, como generalização de toda a categoria?  Por que celebridades e nomes de respeito nas suas áreas e profissões apontam suas vozes , com as dores nas consciencias, a de todos nós; da forma com a qual – ao longo de milênios temos vivido às custas da mãe natureza? E, não só da mãe natureza, mas com escravidão organizada, com a fé religiosa pouco cristã, com o poder tecnológico das armas, com a radioatividade de Hiroshima e Nagasaki, parando por aí. Além dos hiperpoderes contemporâneos da fome do consumo, da fama, e de um gigantesco desperdício, onde cerca de 30% da comida do mundo é jogada no lixo, ao longo do seu caminho – do campo à mesa, por irresponsabilidade das estruturas e ambição de mesas e moda megafartas ?

Se os agricultores viram “bodes expiatórios”, numa insensatez generalizada, alavancada pela culpa ancestral que carregamos no nosso código genético, como raça humana em grande parte predadadora; isso é de uma profunda injustiça e de uma ilegalidade ética descomunal. Se existe uma culpa única que possa ser atribuiída aos produtores agropecuários, é o de estarem sendo muito mal defendidos, mal representados, e sem a inteligencia causídica de nobres talentos que advoguem com humanismo e emoção suas causas, carregadas de razão – pelo menos a não generalizante do “cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo”. Toda e qualquer generalização parte de um principio não humanista e tem raiz fascista. A sociedade e seus agentes notáveis podem e devemos todos sim proteger e defender nosso amado planeta Terra. Porém é “ignóbil ” fazer isso com o dedo indicador apontado para a classe dos agricultores. Vale lembrar que, quando nosso braço está esticado e o dedo indicador fulminando o outro à frente , três dos demais dedos apontam para trás, e o polegar para o céu. Os agricultores brasileiros precisam de respeito e admiração, assim como os carteiros, os bombeiros, os professores, os ecologistas, os jornalistas, os atores, as atrizes… assim como você… O culpado raramente está lá: costuma estar aqui, do lado de cá... todos nós. O que vale mais, automóveis na garagem e no desfile dos egos, movidos ao petróleo derramado e nada sustentável, ou mais de 1 bilhão de agricultores no mundo todo, mantendo a cobertura verde na transformação da fotossíntese ?

José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como “O vôo do cisne”,” e "Luxo for all". Diretor Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico para Agricultura Sustentável – CCAS – www.agriculturasustentavel.org.br

 

 

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