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Produtora de Goiás recupera 80% de pastagens degradadas em cinco anos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Só Notícias   
Qui, 02 de Fevereiro de 2012 09:08

 

 


Um infortúnio levou a professora universitária Marize Porto Costa a tomar frente na administração da fazenda Santa Brígida, situada no município de Ipameri (GO), a 200 Km de Goiânia

Com a morte do marido, em 2002, Marize teve que assumir o comando da fazenda de 930 hectares, com uma grande área degradada de pastagem. “Antes eu não plantava capim, só cupim”, brinca a professora de odontologia, que hoje comemora os frutos colhidos com a implantação do sistema integrado Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Marize contou sua bem-sucedida experiência no seminário de Capacitação do Guia de Financiamento da Agricultura de Baixo Carbono, realizado nessa terça-feira (31-1), na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.

No início enfrentou dificuldades. “Tudo era muito desconhecido para mim”, conta Marize. Os pastos degradados comprometiam a produtividade da fazenda e inviabilizavam os investimentos. Diante dessa situação, decidiu procurar ajuda. “Tem de haver uma forma mais inteligente de lidar com isso”, pensou. Decidiu, então, procurar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O primeiro contato foi em 2005 e, no ano seguinte, iniciou o sistema de produção integrada iLPF na Santa Brígida. Em cinco anos foram recuperadas 80% das pastagens degradadas.

O engenheiro agrônomo Roberto Freitas, que presta consultoria à Fazenda Santa Brígida, conta que, no primeiro ano de implantação do sistema, o plantio da soja foi feito pelo método convencional. “Era preciso fazer a correção do solo que estava muito deteriorado”, disse Freitas. Em 2007, houve a primeira experiência com uma prática sustentável. Plantou-se novamente soja, mas, agora, pelo sistema de plantio direto na palha. A produtividade aumentou de 48 sacas (60 Kg) por hectare para 56 sacas. Entusiasmados, decidiram plantar o milho com a braquiária, uma variedade de capim. “Plantando ao mesmo tempo consegui economizar com mão-de-obra, óleo diesel e máquinas e, depois que colhemos o milho, o capim veio com tudo”, explica Marize. O próximo passo foi inserir a criação de gado no pasto já recuperado.

No fim de 2008, iniciaram as experiências com a plantação do eucalipto. A nova cultura trouxe insegurança porque o agrônomo imaginou que o pasto seria prejudicado com a sombra que as árvores fariam sobre as braquiárias. “Com o sombreamento dos eucaliptos nós achávamos que haveria um decréscimo da pastagem, mas isso não ocorreu. O pasto continuou alto e produtivo”, afirmou Roberto. Depois, o mesmo local recebeu a soja e, no ano seguinte, o milho. “Nesse caso, é preciso fazer uma fertilização intensiva. Vale a pena gastar um pouco mais com fertilizante porque a produtividade compensa o custo”, explicou o agrônomo.

Programa ABC — Foi em 2011 que Marize obteve o financiamento de recursos do Programa ABC. No começo ela teve dificuldade. Em 2010, procurou a agência do Banco do Brasil em Ipameri, mas o gerente não conhecia as linhas de financiamento do programa. “Havia o crédito, mas ainda não existiam as regras para o financiamento”, lembra Marize. Depois de muito insistir, acabou conseguindo um financiamento de R$ 1 milhão para dar seguimento à implantação do sistema iLPF. Roberto Freitas, que elaborou o projeto para obtenção do crédito, conta que a maior dificuldade é saber quais são os itens que podem ser financiados pelo Programa ABC. “O que falta é conhecimento sobre o programa e este seminário vai ampliar o acesso às informações”, afirmou.

 

 

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